Somebody, by Netlfix: minissérie para fazer você gostar e apreciar terror e suspense coreanos.

 Somebody é uma série sul-coreana que estreou em novembro de 2022.  



A minissérie conta a história entreleçada e quatro pessoas: Kim Sum ( Kang Hae-Lim), uma menina no espectro de Asperger, com grande talento de programação, que projeta uma inteligência artificial, chamada Someone. Someone é uma espécie de amigo virtual, do qual deriva o app de encontros Somebody, em parceria com uma professora que identifica seu talento numa feira de ciências da escola. Kim Sum já vivia antes de disso de ajudar a pequenos golpistas, uma vez que sua bússola moral e emocional é um tanto amortecida pelo autismo. Conta também a história de Yeong Gi Eun (Kim Su Yeon), amiga de Kim Sum, uma policial bonita e extrovertida, por quem Kim Sum tem uma espécie de admiração platônica. Gi Eun sofre um acidente e fica paraplégica, mas volta a trabalhar, e tenta ter uma vida normal. Temos também, Im Mok Won (Kim Yong Gi) , uma jovem shaman lésbica, amiga de Gi Eun, que tenta navegar a vida espiritual e emocional, enquanto cuida das amigas. No centro da relação das três surge um homem belo e misterioso, um arquiteto chamado Sung Yun-Oh ( Kim Young Kwang).



Uma série de assassinatos começam a acontecer ligados ao aplicativo criado por Kim Sum, e o expectador rapidamente descobre que o perpetrador é Yun-Oh. Depois de algum tempo, Yun-Oh acaba se envolvendo com Kim Sum e Gi Eun. 



Cruel, impulsivo, torturado por uma história pregressa que não sabemos ao certo, Yun Oh desenvolve uma fascinação por Kim Sum, que a retribui. A relação é altamente carregada sexualmente.

O homem é, na verdade, muito sexualizado nos matches que obtém ao usar o aplicativo, tendendo a nutrir profundo desprezo pelas mulheres e pelas pessoas em geral. Embora não saia a princípio com a intenção do homicídio, o jogo da conquista e de manipulação proporcionados pela plataforma se torna um veículo para concretizar seus desejos e seus impulsos.

Kim Sum não consegue compreender ao certo o que é o amor. Ela não entende o sentimento, nem as formas de expressá-lo, o que a leva a ser vista como uma espécie de criança, ou ser infantilizado. Mas, uma vez que encontra Yun-oh, e ele lhe poupa, ele lhe dá uma lâmina de barbear que ela guarda consigo, e usa para se defender de um grupo de rapazes que tentam lhe estuprar. Posteriormente confessa ao seu Someone em casa, que a sensação de matar o agressor sentiu euforia. Descobrir essa euforia nela, fez com que Yun oh se sentisse fascinado por ela, mais próximo, a quisesse sexualmente, quisesse ela para cúmplice, para seu porto seguro e fonte de validação.

Ele começa a desenvolver sentimentos legítimos por ela, embora a cada momento os seus impulsos fiquem no limite de morte.

A relação coloca em risco as amigas, mas, acima de tudo, faz com que Kim Sum se sinta mais sensualmente atraída por ele. Se como autista ela não consegue entender os sentimentos, ela descobre nele, uma capacidade de estímulos sensoriais, de orgasmo, de masturbação, de admiração estética, de excitação. O que não se compreende racionalmente, ou não se sente como relação humana, se supera através do sexo e da amoralidade.

Com o cerco se fechando em torno de Yun oh, é Kim Sum, a aparentemente mais fraca, a que ele parece ilhada das relações humanas quem tem de achar uma solução.

Se a minissérie parece a princípio um filme de crime e serial killers, ele evolui para uma história de amor, onde o caçador se curva a presa, e sofre ao perceber essa perda de potência. 

Ao contrário da maioria esmagadora das séries coreanas, essa é uma minissérie onde existe sexo. Onde as pessoas fazem sexo, onde o desejo pelo corpo é exercido com vivor e sem culpa, onde a beleza masculina é mostrada com uma languidez e sensualidade viris, e o corpo feminino não é tão coberto quanto me outras produções.

Não é uma série apenas de serial killers, mas de pessoas que podem matar. De pessoas que podem matar, derivar satisfação disso, e se identificarem a partir disso, desenvolverem uma conexão com esse elemento.

Ao fim e ao cabo, é uma história de amor, onde ambas as partes merecem ser punidas, mas, por alguma razão, a gente sabe que uma não será, que uma delas, não tem o menor arrependimento se não de maneira procedimental.

A história tem um pacing cadenciado, então não anda rápido ou lentamente, ela vai no tempo certo, para o que se propõe. Se o povo coreano tem um estereotipo de uma certa frieza, o seriado a abraçou com força.

Me pergunto se a intimidade sexual não supra esse desconforto um pouco.


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