Kamen Rider Black Sun: um reboot honesto, bom e com boas memórias de tokusatsu
Quando eu era criança, láááááá nos anos 70, eu acreditava que o lugar mais perigoso do mundo era Tókio. Lá haviam monstros horríveis, que frequentemente destruíam tudo. Entre nós e o caos, restava o oficial Hayata incorporar o herói Ultraman e nos proteger! Claro que no meio da pancadaria piscava a luzinha da bateria terminando, e a gente torcia pro herói vencer antes de um fim triste. Tudo muito formulaico, mas eficiente. Já até venderam máscaras do Ultraman nas bancas de jornal, eu tive uma, e pulava pela casa fazendo o gesto de emissão de raios contra os inimigos, me revezando com os colegas em lutas ferozes.
| Podem me imaginar nessa pose. |
Foi a primeira exposição ao gênero tokusatsu, live action com uso de efeitos especiais, e um programa que já era um baião de dois do caramba, pois misturava kaiju (monstros), com mecha (máquinas, coisas mais tecnológicas), e heróis tipo Kamen Raider. Depois do Ultraman, já na geração da minha irmã do meio, o lance era o SpectreMan. Nada melhor do que requentar um hit, não é?
| Jiraya: virou ícone, virar no Jiraya |
| Spectreman: o horror! hahahahahaha |
Na verdade as minhas irmãs pegaram muito mais o lance Mecha, os Power Rangers, Jiraya, e coisas mais anos 80. Eu assisti Starblazer, nome no Brasil, de Space Battleship Yamato, um anime bom do caramba, que eu assistia grudada na antiga TV Manchete. Aqui a tradução Brasileira, chamada a Yamato de Argo, como na versão inglesa. Chato, né?
Já nos anos 90 o lance era Cavaleiros do Zodíaco, e eu assistia com as minhas irmãs pestes. Se assistir desenho animado era infantil, ver anime era estranho!
Hoje eu me lixo, saí do armário. Meu filho me acha coroa esquisita. Meu ex namorado era vinte anos mais novo do que eu e me achava estranha, nerd pra cacete, porém com uns gostos de molecada de 18 (sim, eu amo Aang, the last Airbender, sci fi, filmes e séries de zumbi não americanos, uns animes e etc).
Eis que outro dia, naquelas madrugadas zoando no catálogo da Amazon Prime, tropeço em Kamen Rider Black Sun. Nunca fui chegada em Kamen Rider, mas... arrisquei. Ora, é um reboot em homenagem aos 50 anos da série, e acabou sendo bem maneiro.
A série vai e volta cinquenta anos no tempo, então é uma versão de como os kaijins nasceram, como os Kamen Riders nasceram, suas motivações e o que sentem na sua trajetória. O Hidetoshi Nishijima faz o protagonista Kotaro Minami, e ele é um cinquentão de boa aparência, aleluia, Oxalá seja louvado, nessa indústria de caras esticadinhas. Mas ele podia ter mais expressões... essa coisa de toda atuação ser "no olhar", mesmo o Tony Leung relativiza, pois tem limites, a depender do gênero.
| Nishijima: gato, mas cara de prisão de ventre. |
Claro que a maquiagem é uó, claro que a maioria dos kaijins ficariam melhor na marquês de sapucaí, mas essa é realmente a graça do negócio. Cheguei numa idade em que eu aprecio o ridículo de atores bons fazendo trabalhos estranhos, e realmente me deixo levar por isso. Não é preciso refletir sobre a crítica social: ela é escrita em letras garrafais, para que ninguém entenda errado, ou deixe de ler. Não há sutileza no roteiro.
As lutas entre os monstros tem gore, esquartejamento. Humanos matam humanos, kaijins matam kaijins, e kaijins e humanos se matam. Tem pra todo gosto. Também há alianças de todos os tipos também. Traições. E gente burra, ô, como tem.
Os dez episódios tem aproximadamente 40 minutos de duração, e estão todos disponíveis. Passam surpreendentemente rápido. Um entretenimento digno da parte boa desse gênero, e bacana para uma geração mais jovem e bem legal para a turma de cinquenta, como eu.
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